Projeto Pedagógico Institucional
Centro Universitário da FEI
2005
Sumário
Introdução
1. Contexto
1.1. Perfil Institucional
1.1.1. Apresentação
1.1.2. Mantenedora
1.1.3. Histórico da Instituição
1.1.4. A Instituição
Hoje
1.2. A Comunidade Local
1.3. A Instituição e a Sociedade
2. Princípios Norteadores da Instituição
2.1. Identidade e Valores Institucionais
2.2. Visão da Educação
2.3 Missão Institucional
2.4. Objetivos Institucionais
3. Políticas e Ações Institucionais
3.1. Ensino
3.2. Pesquisa
3.3. Extensão
Introdução
No alvorecer deste milênio, novos desafios se colocam frente às instituições de ensino de forma geral, e às de ensino superior, em particular. O crescimento no número de vagas ofertadas bem como as políticas governamentais de acesso à educação formal, especialmente no ensino superior, têm trazido a esse nível de ensino, camadas da população que antes se encontravam excluídas. Por outro lado, a possibilidade de oferecimento de cursos de baixa qualidade por parte de algumas instituições de ensino tem levado os órgãos governamentais ligados à regulamentação da educação superior a uma alteração constante de dispositivos legais e de procedimentos, visando estabelecer padrões mínimos de qualidade. Isso tem gerado um grande dispêndio de tempo e de recursos, mas também oferecida a oportunidade de se refletir a respeito daquilo que uma instituição de ensino superior deve ser, bem como sobre as práticas pedagógicas, utilizadas para que seus objetivos educacionais sejam alcançados.
A falta de preparo dos alunos egressos do ensino médio, em áreas importantes para a formação de nível superior, é uma realidade cada vez mais contundente. Verifica-se, entretanto, que estes alunos apresentam uma série de outras habilidades, configurando assim outros tipos de inteligências que precisam e devem ser potencializadas para a formação de indivíduos que contribuam para o desenvolvimento tecnológico do país. Nesse aspecto, a elaboração de metodologias pedagógicas visando ao despertar, ao desenvolvimento e ao aproveitamento desse potencial intelectual, é pois, condição fundamental e desafiadora para toda e qualquer instituição de ensino.
Os princípios humanos também devem preencher a agenda das IES, não apenas no sentido de incluir condições para formar profissionais que busquem o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária, ética e justa, mas também, de permitir o estabelecimento de relações institucionais entre os diferentes agentes envolvidos no processo ensino-aprendizagem (gestores, docentes, discentes e pessoal técnico-adminsitrativo), pautados nestes mesmos princípios.
O Centro Universitário da FEI, uma instituição confessional fundada pelo padre jesuíta Sabóia de Medeiros, tem sempre procurado, em sua longa história, a formação de indivíduos com excelente competência técnica e com uma visão alinhada com os princípios Cristãos e com os ideais educacionais professados pela Companhia de Jesus. Isso se evidencia, de um lado, pela excelente empregabilidade de seus egressos, e por outro, pelos valores cultivados por seus dirigentes, professores e funcionários, que transparecem nos processos diários do fazer pedagógico.
Dentro desses princípios fundamentais de formação de um indivíduo tecnicamente apto e completo enquanto ser humano, pautado pelos ideais de fé e justiça, a Instituição tem buscado ao longo dos anos preservar sua identidade e aperfeiçoar-se no cumprimento de sua Missão. O presente Projeto Institucional visa contribuir para a melhoria do processo didático-pedagógico existente, construído pela Instituição ao longo de seus mais de 60 anos de existência. Neste processo de aperfeiçoamento constante, busca-se indicar novos caminhos a serem trilhados, como forma de garantir o cumprimento pleno do importante papel da Instituição como entidade geradora de conhecimento técnico-científico.
A institucionalização da pesquisa científica, consolidada pela implementação de programas de mestrado, é apenas um exemplo da preocupação da Instituição com a busca do fortalecimento do trinômio ensino, pesquisa e extensão, sobre o qual deve ser pautado o ensino superior.
De um lado, este Projeto Pedagógico formaliza o modo de ser e fazer o ensino, que se encontra entremeado na alma de nosso corpo docente, e de outro, busca avançar através de novos horizontes, apresentando de maneira clara e objetiva os seus planos para a formação de uma juventude apta a contribuir para o desenvolvimento político, econômico e social, por meio de uma atuação intensa e efetivamente transformadora.
Este trabalho está dividido em três grandes partes. Na primeira parte, procura-se contextualizar a situação do Centro Universitário da FEI frente à sua tradição histórica e à realidade social local e nacional, como forma de delinear o que se espera de uma instituição de ensino superior inserida neste contexto.
Em um segundo momento, apresenta-se a identidade da Instituição, por meio dos ideais e princípios orientadores de toda a comunidade acadêmica e do trabalho pedagógico a ser realizado na Instituição. Estes ideais, sempre fiéis aos da Companhia de Jesus, deverão estar alinhados aos ideais do próprio fundador da Instituição, preservando assim a sua tradição histórica.
Por último, apresenta-se a forma com que esses ideais e valores cultivados na Instituição devem ser materializados por meio de ações e políticas que visem o aperfeiçoamento do ensino, da pesquisa e da extensão, ora desenvolvidos, permitindo a formação de profissionais capazes de apresentar soluções concretas e eficazes à problemática observada, e anteriormente contextualizada.
Como todo projeto, as ações aqui propostas devem ser avaliadas e revistas ao longo de todo o processo de implantação e execução do mesmo. Espera-se, no entanto, por meio deste trabalho, formalizar o aspecto permanente e mais duradouro, que caracterize o eixo norteador de todas as ações pedagógicas realizadas na Instituição, contribuindo para a melhoria do trabalho, de reconhecida qualidade e importância social, que vem sendo realizado pela comunidade acadêmica do Centro Universitário, ao longo destes anos.
1. Contexto
1.1. Perfil Institucional
1.1.1. Apresentação
O Centro Universitário foi instituído em dezembro de 2001, pela agregação das diferentes instituições de ensino superior mantidas na época pela Fundação de Ciências Aplicadas (FCA), a saber: Escola Superior de Administração de Negócios campus São Paulo, ESAN-SP (fundada em 1941); Faculdade de Engenharia Industrial, FEI (fundada em 1946); Escola Superior de Administração de Negócios campus São Bernardo, ESAN-SBC (fundada em 1972) e Faculdade de Informática, FCI (fundada em 1999). O credenciamento do Centro Universitário deu-se através da Portaria Ministerial n.º 2.574, de 04 de dezembro de 2001 e parecer n.º1.309/2001 da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação.
A Fundação de Ciências Aplicadas (FCA) passou então a ser denominada Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros (FEI) e o Centro Universitário passou a se chamar Centro Universitário da FEI conforme Portaria Ministerial n.º 3.746 de 12 de dezembro de 2003.
1.1.2. Mantenedora
A Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros – FEI, mantenedora do Centro Universitário, é uma entidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos e filantrópica, conforme definido no artigo 16, I, do Código Civil, e foi instituída originalmente com o nome de Fundação de Ciências Aplicadas (FCA), por escritura pública em 7 de agosto de 1945, devidamente registrada no 4º Registro de Títulos e Documentos da Capital de São Paulo.
A Fundação foi criada em 1945, pelo Padre Roberto Sabóia de Medeiros, S.J., e está vinculada estatutariamente à Companhia de Jesus, responsável por sua orientação, sempre à luz dos princípios cristãos da defesa da fé, da promoção da justiça, da dignidade humana e dos valores éticos.
A FEI é administrada por um Conselho de Curadores, órgão máximo da Instituição, composto de treze membros, sendo um deles representante da Companhia de Jesus, e por uma Diretoria Executiva, constituída por Presidente, Vice-Presidente, Vice-Presidente Acadêmico, Secretário e Tesoureiro.
A FEI é atualmente mantenedora das seguintes Unidades educacionais:
- Centro Universitário da FEI
- Escola Técnica São Francisco de Bórgia - ETSF
e dos seguintes Institutos vinculados ao Centro Universitário da FEI:
- Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais - IPEI
- Instituto de Especialização em Ciências Administrativas e Tecnológicas – IECAT
As unidades mantidas pela FEI estão localizadas em dois campi, um deles em São Bernardo do Campo, situado à Av. Humberto de Alencar Castelo Branco, n.º 3972, Bairro Assunção, e o outro em São Paulo, situado à Rua Tamandaré, n.º 688, Liberdade, além de outros imóveis, dentre os quais aqueles em que funcionam a sua própria sede e a Escola Técnica São Francisco de Bórgia.
No campus de São Bernardo do Campo está localizada a sede do Centro Universitário da FEI, com os cursos de Administração, Ciência da Computação e Engenharia, o IPEI e o IECAT, em um terreno de 243.000 m² com 44.000 m² de área construída. Este campus possui salas de aula, auditórios, laboratórios, biblioteca, conjunto poliesportivo (com ginásio coberto), campo de futebol, pista de atletismo, quadras, piscina coberta aquecida e vestiários, capela, livraria, centro de processamento de dados, restaurante, lanchonetes e amplo estacionamento.
No campus de São Paulo, localizado na região central da cidade, oferece-se o curso de Administração e está localizado parte do IECAT, em uma área útil de 10.880 m². Este campus possui salas de aula, auditório, laboratórios, biblioteca, quadra de esportes, capela, lanchonete e estacionamento.
1.1.3. Histórico da Instituição
O curso de Administração do Centro Universitário da FEI originou-se da Escola Superior de Administração de Negócios de São Paulo – ESAN-SP, a primeira escola de administração do País. Fundada em 1941, também pelo Pe. Sabóia, a ESAN-SP marcou o início formal dos estudos específicos de Administração no país.
Em 28 de janeiro de 1961, o então Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, assinou o decreto que tornou a ESAN a primeira escola superior de administração de empresas do país a ser reconhecida e oficializada pelos poderes públicos. O mesmo decreto reconheceu a validade dos diplomas dos alunos formados a partir de 1941.
A Escola Superior de Administração de Negócios formou em sua existência, como escola isolada, mais de 10.000 profissionais.
A Escola Superior de Administração de Negócios de São Bernardo do Campo - ESAN/SBC foi criada em 1972, com o propósito de suprir as necessidades geradas pela industrialização, que continuava a se expandir naquela cidade.
A Faculdade de Engenharia Industrial foi criada em 1946. Ela nasceu da intuição e ousadia do Pe. Sabóia, que no início da década de 40 anteviu o crescimento econômico brasileiro e a necessidade de engenheiros para a indústria. Daí, o adjetivo Industrial então atribuído à Faculdade de Engenharia.
Autorizada a funcionar pelo Decreto Presidencial no 20.942, de 9 de abril de 1946, a Faculdade de Engenharia Industrial iniciou suas atividades em 20 de maio daquele ano, com 50 vagas na modalidade Engenharia Química, em São Paulo. No mesmo ano, em 22 de agosto, a Faculdade de Engenharia Industrial e outras faculdades constituíram a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Somente em 1971, a Faculdade de Engenharia Industrial viria a desligar-se da PUC, voltando à condição de instituição isolada de ensino superior.
Em 20 de janeiro de 1951, realizou-se sessão solene da Congregação para a Colação de Grau da primeira turma da Faculdade de Engenharia Industrial. De 1957 a 1960, foi seu diretor o Prof. Lucas Nogueira Garcez, ex-governador do Estado de São Paulo. Em 1961, o então Prefeito de São Bernardo do Campo, Dr. Lauro Gomes, doou à Faculdade um terreno de sua propriedade naquela cidade e, já em 1962, começavam as obras de terraplenagem para a construção de suas novas instalações.
Sempre atenta às demandas profissionais resultantes do desenvolvimento industrial regional e nacional, a Faculdade de Engenharia Industrial introduziu novas modalidades e reestruturou-se. A partir de 1967 já eram oferecidas as seguintes modalidades de Engenharia: Química, Mecânica, Elétrica (opções em Eletrotécnica e Eletrônica), Têxtil, Metalúrgica e Produção, esta última como opção às demais modalidades.
Em 1969, o Pe. Aldemar Moreira, S.J. foi nomeado para a Presidência da então FCA, cargo que exerceu até julho de 1997. Atualmente a Fundação é presidida pelo Pe. Theodoro Paulo Severino Peters, S.J..
No ano de 1985, foi aprovada a ênfase de Computadores na habilitação de Engenharia Elétrica e autorizado o curso de Engenharia Civil com ênfase em Transportes. Prevendo a grande expansão do setor de telecomunicações, em 1997 foi aprovada a ênfase de Telecomunicações na habilitação de Engenharia Elétrica.
A partir do primeiro semestre de 2003, com a reestruturação das matrizes curriculares de todos os cursos de graduação do Centro Universitário da FEI, foram extintas as modalidades de Engenharia Metalúrgica, Produção Mecânica, Produção Elétrica, Produção Metalúrgica, Produção Química e Produção Têxtil, criando-se os Cursos de Engenharia de Materiais e de Produção, não mais como opção às demais modalidades.
De 1950 até hoje, a Instituição já formou cerca de 30.000 engenheiros, tendo um reconhecido valor no mercado. Em 1995, por exemplo, a Faculdade de Engenharia Industrial foi agraciada com a Medalha do Mérito outorgada pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA).
A Faculdade de Informática (FCI) iniciou suas atividades em março de 1999, oferecendo o curso de Ciência da Computação, com o objetivo de atender a demanda de uma sociedade dominada pelo avanço da informatização dos processos tecnológicos e dos métodos de administração da produção nas indústrias.
O Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais (IPEI) foi criado em 1975 com o objetivo de promover o desenvolvimento e a transferência de tecnologia para o setor produtivo, a prestação de assessoria e execução de serviços tecnológicos especializados nas áreas de Mecânica, Química, Eletro-Eletrônica, Têxtil e Metalúrgica, constituindo um elo com a indústria. O IPEI visa, de modo geral, promover a interação da Instituição com o setor industrial e empresarial, e com a sociedade de um modo geral.
A formação de recursos humanos na área científica e tecnológica também faz parte das atividades do Instituto. Além dos serviços especializados prestados, o IPEI desenvolve, com recursos da FEI, projetos específicos que estimulam o aperfeiçoamento tecnológico de colaboradores, professores e alunos do Centro Universitário.
Tendo como função precípua a promoção da capacitação profissional no campo administrativo e tecnológico, o Instituto de Especialização em Ciências Administrativas e Tecnológicas (IECAT), criado em 1982, desenvolve, em parceria com as unidades de ensino do Centro Universitário, cursos de pós-graduação lato sensu e cursos de extensão.
O Centro de Computação Integrada (CCI) iniciou suas atividades em agosto de 1992, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento e a aplicação da informática nas atividades didáticas e de pesquisa, prestando serviços especializados a todas as unidades mantidas pela Instituição.
A Biblioteca “Pe. Aldemar Moreira, S.J.”, cuja criação confunde-se com a fundação da própria Instituição, oferece um acervo significativo e valioso de informação e cultura, distribuído em duas unidades situadas nos dois campi do Centro Universitário. As instalações físicas atendem às exigências legais e proporcionam o conforto e comodidade necessários para a sua plena utilização. São mais de 60.000 volumes, além de mais de 400 títulos de periódicos e uma ampla variedade de temas em vídeos e DVD’s à disposição dos usuários. O acesso ao acervo é facilitado por meio de serviço de consultas e empréstimos informatizado pelo sistema PERGAMUM, além de outros recursos que favorecem o intercâmbio com outras bibliotecas nacionais e internacionais.
1.1.4. A Instituição Hoje
O Centro Universitário da FEI procura manter vivas, nos dias de hoje, a intuição e ambição de seu fundador, Pe. Sabóia, ao dirigir o ensino para a formação de profissionais para o setor produtivo. Na época de sua fundação, direcionadas à demanda industrial resultante do crescimento econômico nacional e, hoje, a um mercado mais diversificado onde predominam a alta tecnologia, os serviços especializados e as técnicas de gestão.
O Centro Universitário tem por finalidade a preservação desta tradição de excelência no ensino voltado à sociedade e o desafio de mantê-lo adequado às rápidas mudanças do mundo corporativo, que exige uma mão-de-obra cada vez mais preparada para a inovação contínua e adaptação a novos ambientes e situações. Para tanto, a Instituição aposta no fortalecimento ainda maior da aproximação entre a universidade, o setor produtivo e a sociedade em geral.
A Instituição no intuito de favorecer a ponte entre a teoria e a prática, visando realizar a efetiva transferência do conhecimento para a sociedade, tem investido fortemente na modernização de sua estrutura curricular, incentivando as atividades que estimulam a criatividade e o empreendedorismo, tais como projetos de formatura e trabalhos de conclusão de curso; no incentivo às práticas extracurriculares de extensão que aproximem o alunado da realidade regional; e, prioritariamente, na ampliação da prática da investigação científica e sua formalização por meio dos cursos de pós-graduação stricto sensu, por entender que a pesquisa é o meio pelo qual a academia interage, efetivamente, com a sociedade, podendo atender às suas necessidades e solicitações.
No segundo semestre de 2004, cumprindo uma das metas propostas quando da implantação do Centro Universitário, de institucionalizar a pesquisa acadêmica, foi recomendada pelo Conselho Técnico Científico da Capes a implantação do Curso de Mestrado em Engenharia Elétrica, nas áreas de concentração de Dispositivos Eletrônicos Integrados e Inteligência Artificial Aplicada à Automação. No presente momento, encontra-se em estudo a proposta de implantação da infra-estrutura necessária para outros cursos de mestrado, inicialmente com linhas de pesquisa previstas nas áreas de Mecânica Automobilística, Engenharia de Materiais, Engenharia de Produção e Administração de Empresas.
Sob essa perspectiva de formação para a sociedade, além das atividades de ensino e pesquisa, que visam ao mercado de trabalho altamente seletivo, a Instituição busca oferecer palestras e seminários, organizar visitas a indústrias, facilitar a execução de estágios externos, estabelecer convênios com importantes empresas, promovendo uma constante adaptação dos docentes, estudantes, técnicos e profissionais de áreas afins às novas tecnologias, imprescindíveis ao desenvolvimento da região e do próprio País.
As unidades fornecem também aos seus alunos, diversas oportunidades de atividades extracurriculares, como iniciação científica, monitorias, estágios internos e Empresa Júnior, entre outras, contribuindo para o crescimento pessoal, acadêmico e profissional dos universitários.
A articulação entre a vivência acadêmica e a vivência profissional é potencializada por meio do Setor de Estágios (SESEM), importante agente articulador desse entrosamento. O SESEM tem hoje cerca de 8.000 organizações cadastradas e é responsável pelo gerenciamento de milhares de contratos, bem como proporciona aos recém-formados excelentes oportunidades de emprego.
No âmbito dos projetos acadêmicos, destaca-se a existência, desde 1998, de um programa amplo de concessão de 120 bolsas permanentes para apoio a projetos de iniciação científica (P-BIC), iniciação didática (PRO-BID) e de ações sociais de extensão (PRO-BASE), totalmente financiadas pela mantenedora. Os alunos contemplados com estas bolsas são fortemente incentivados a participar de congressos de iniciação científica.
Como suporte ao desenvolvimento das atividades citadas, o Centro Universitário tem investido nos diversos laboratórios e os mantido em constante atualização tecnológica. O estudante tem à sua disposição quase uma centena de laboratórios de ensino que atendem às atividades práticas dos diferentes cursos oferecidos pela Instituição.
Ainda como apoio ao processo educacional, devem-se ressaltar os constantes investimentos no acervo da Biblioteca e no sistema automatizado de acesso ao mesmo. A biblioteca “Pe. Aldemar Moreira, S.J.” conta hoje com excelente acervo, distribuídos entre livros, revistas especializadas, obras literárias e videoteca, à disposição dos alunos, em quantidade suficiente para o atendimento das necessidades acadêmicas.
O Centro de Computação que dá suporte ao desenvolvimento de atividades didáticas e de pesquisa, dispõe de laboratórios de alto padrão e salas de projetos e pesquisa especialmente planejadas, além de um grande banco de softwares continuamente atualizados, suportando a elaboração de projetos de graduação, de iniciação científica e de pós-graduação.
Na proposta de qualidade de ensino e formalização da pesquisa institucional, deve-se citar ainda o papel do Instituto de Pesquisas e Estudos Industriais - IPEI, que com 30 anos de existência, tem atuado como importante elo de ligação entre os cursos de graduação e pós-graduação com o setor produtivo, por meio de prestação de serviços e do desenvolvimento e transferência de tecnologia. Atua como entidade integradora, tanto nos esforços internos de buscar a atuação cooperativa dos departamentos de ensino, como dos esforços conjuntos dos mesmos, de integração com o setor produtivo.
Atualmente, o referido Instituto passa por significativa reestruturação, ao criar um novo modelo de trabalho que propõe o contato permanente do Instituto com os departamentos de graduação. Este modelo permitirá a união de esforços entre professores, pesquisadores e departamentos com a finalidade de atualização dos cursos de graduação e consolidação das linhas institucionais de pesquisa.
Como resultado dessa política, pode-se citar a implantação, desde 2004, de novas linhas de pesquisa e desenvolvimento, já realizadas em estreita colaboração com os vários departamentos, relacionadas com demandas de mercado e políticas de estado, nas áreas de: planejamento empresarial, tecnologia de softwares e de usabilidade, motores e novos combustíveis.
No corrente semestre, as unidades de ensino do Centro Universitário da FEI possuem em seus cursos de graduação, cerca de 6.100 alunos nos cursos de Engenharia, 1.550 alunos nos cursos de Administração de Empresas e 450 alunos no curso de Ciência da Computação. Na pós-graduação lato sensu, há mais de 1.100 alunos matriculados nos diversos cursos voltados ao atendimento do setor produtivo.
Este novo cenário educacional em desenvolvimento vem fortalecer os esforços de todas as instâncias decisórias para a transformação, em um futuro próximo, do Centro Universitário da FEI para uma universidade tecnológica de alta qualidade, a serviço do desenvolvimento da região e do país.
1.2. A Comunidade Local
A sede do Centro Universitário encontra-se em São Bernardo do Campo, região do Grande ABC, área metropolitana de São Paulo, capital do estado. Esta região é composta pelos municípios de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A região viveu forte crescimento econômico pela industrialização ocorrida nas décadas de 50, 60 e 70, gerando inúmeros postos de trabalho, em curto espaço de tempo, o que gerou forte movimento migratório de diversas regiões do País. Chegou ao ano 2000 como a região mais industrializada do Brasil e, por conseqüência, a crise do capitalismo, ocorrida neste começo de século, se deu de maneira intensa na região, gerando alto índice de desemprego.
São características regionais importantes para o contexto da economia local:
- População (em 2003): São Bernardo do Campo – 700 mil habitantes; Região do grande ABC - 2,3 milhões de habitantes;
- Área territorial total: 841km2, sendo 56% deste território constituído de mananciais hídricos;
- Estrategicamente localizado entre a capital do Estado e a cidade de Santos, ou seja, entre a maior cidade brasileira e um dos principais portos do País, o Grande ABC é servido por duas rodovias, Anchieta e Imigrantes, e uma ferrovia, além de estar próximo dos principais aeroportos da capital;
- Cadeia produtiva composta por grande número de empresas do setor automotivo (como GM, Ford, Daimler Chrysler, Scania, Volksvagen) e de autopeças, pólo petroquímico com cadeia de produtores de plásticos e derivados, indústrias químicas (como Basf/Suvinil), setor moveleiro, setor de cosméticos;
- Grau de escolaridade da população é maior que a média da população do País, com índice de analfabetismo menor que 5%. Com uma renda per capita elevada, o Grande ABC representa o terceiro mercado consumidor e o principal pólo automotivo do país.
A região está inserida em um contexto de amplos desafios: aumentar a oferta de empregos e geração de renda, garantir condições favoráveis ao empreendedorismo, elevar indicadores de qualidade de vida e incrementar a produção de conhecimento e informações, buscando assegurar o aprimoramento das habilidades e competências
1.3 A Instituição e a Sociedade
As Instituições de Ensino Superior desempenham um papel essencial no desenvolvimento sócio-econômico, tecnológico, artístico e cultural de um país. Além da construção do conhecimento por aquelas que realizam a pesquisa, são dos bancos escolares que saem grande parte das cabeças pensantes de uma sociedade. Os egressos de um curso superior são aqueles que de maneira geral irão executar, com mais intensidade, essa importante função social, especialmente depois de inseridos no mercado de trabalho. A responsabilidade na formação técnica e humana desses indivíduos é, pois, o papel de destaque das IES.
Nesse sentido, é fundamental que as instituições de ensino superior repensem o seu papel, passando a ver a sua função não somente como a de simples formadores de mão-de-obra qualificada, ainda que bastante exigida na sociedade globalizada, mas, fundamentalmente, como responsáveis pela formação de profissionais que atendam às necessidades da sociedade de uma forma integral, com um perfil mais humanista e com uma consciência social e ambiental.
Os valores sociais, éticos, políticos e educacionais que as IES promovem e estimulam devem, portanto, se fundamentar em uma visão clara do papel social que virá a ser desempenhado pelos seus egressos. No entanto, o ensino parece ainda não conseguir realizar a contento essa função. Isso fica patente quando se analisa o paradoxo da sociedade do conhecimento, época de grandes avanços tecnológicos, da Internet e dos processos “online”, mas que tem assistido a uma degradação das condições de vida e dos valores humanos da população de um modo geral, e da mais carente em especial. Se por um lado assistimos a uma revolução da tecnologia, por outro assistimos a um processo de exclusão das camadas menos favorecidas no acesso aos benefícios por ela gerados.
Em conseqüência disso, tanto no Brasil quanto em outros países, tem-se formado profissionais de excelente competência técnica, porém com pouca ou nenhuma preocupação com os aspectos sociais e ambientais, não lhes proporcionando a percepção de seu importante papel transformador da sociedade.
Constata-se também que o ensino superior é visto, muitas vezes, apenas como uma forma de se conseguir uma colocação no mercado, o que em algumas situações não se concretiza. Se a formação em nível superior não é garantia de que haja colocação profissional para o egresso, também não resta dúvida de que o maior valor de qualquer sociedade é a educação. Assim, é preciso haver por parte das IES uma dupla preocupação: com a formação cognitiva do indivíduo e com a sua empregabilidade. Não se trata aqui de, simplesmente, ceder aos apelos imediatistas e utilitaristas do mercado, formando indivíduos que atendam à necessidade de lucros imediatos das empresas. Mas, sobretudo, de alcançar a medida exata entre os aspectos mais técnicos (específicos) e informativos, de caráter mais volátil, que permitem uma rápida colocação no mercado de trabalho ao atender suas demandas emergentes, e aqueles mais generalistas e formativos, de caráter duradouro, que permitem uma visão social do trabalho e a garantia de permanência nesta atividade. É esta concepção afirmativa da inserção do indivíduo no sistema econômico e no mercado de trabalho que garantirá aos egressos a possibilidade de atuarem de forma plena na sociedade.
Ainda, outro ponto de importância nesta discussão refere-se às profundas alterações que se verificam nas relações sociais e de trabalho. A globalização é uma realidade que não pode ser ignorada, e traz como conseqüência a necessidade de se repensar a relação setor produtivo/sociedade, no âmbito regional, nacional e mundial. As rápidas mudanças observadas no sistema produtivo, com postos de trabalho e funções que surgem, modificam-se e desaparecem em um curto intervalo de tempo, mostram que as ações educacionais devem conduzir a uma formação ampla e generalista que, consequentemente, proporcione ao egresso a flexibilidade necessária para a adaptação de suas competências e habilidades às exigências sociais e econômicas em constantes transformações.
Assim, juntamente com o equilíbrio essencial entre a formação técnica e a formação humanista, entre a formação generalista e a formação específica, deve-se criar condições para uma formação continuada. É necessário garantir os recursos adequados para que os egressos “aprendam a aprender” e possam, dessa forma, entender o ensino como um processo contínuo, e não como processo meramente terminal.
Os pressupostos aqui apresentados deverão fundamentar a definição das estratégias educacionais do Centro Universitário da FEI, como instrumento de efetivo cumprimento do papel social da Instituição. Tais estratégias jamais serão eficazes, se não comprometidas com a identidade institucional, fortalecidas pela obediência aos princípios e diretrizes norteadores, apresentados a seguir.
2. Princípios Norteadores da Instituição
2.1. Identidade e Valores Institucionais
O Centro Universitário da FEI, como instituição de cunho confessional e seguindo os princípios da Companhia de Jesus, manifesta a sua identidade católica, cristã, jesuíta (inaciana), inserida na tradição que remonta à própria origem das instituições de ensino católicas como centros de criatividade e de irradiação do saber para o bem da humanidade. Prioriza-se o valor da inserção e do desenvolvimento pessoal do egresso numa sociedade pluralista.
Desse modo, paralelamente à excelência acadêmica, a instituição busca priorizar a formação integral do ser humano, fortalecendo o ensino de humanismo, ética e cidadania, em detrimento do “homem unidirecional” e da “razão puramente instrumental” acentuados por esse mundo de alta tecnologia cada vez mais emergente.
O modelo universitário que se busca, fundamenta-se em cinco valores irrenunciáveis:
a) Humanismo
O Centro Universitário da FEI se empenha no cultivo dos valores humanos, buscando em todas as suas ações reafirmar o primado da pessoa sobre as coisas, da ética sobre a técnica, do bem comum sobre o individual, da integralidade sobre a parcialidade, de modo que a ciência e a tecnologia estejam a serviço das pessoas e da comunidade. Os processos educacionais nele desenvolvidos, portanto, investigam a significação da vida humana e se preocupam com a formação integral de cada aluno como indivíduo, buscando colaborar para que todos, e cada um, possam desenvolver os seus talentos naturais.
Partindo desta visão do ser humano, é função social da Instituição, primeiramente, proporcionar um ambiente sadio, pautado pelo respeito à diversidade de raças, crenças, classes sociais, ideologias políticas e convicções científicas, que se harmonizam através de um diálogo franco e aberto, em todas as esferas Institucionais, por meio do qual se busca a concretização dos ideais educacionais.
Um segundo aspecto consiste em garantir que o processo educacional atinja todas as camadas da população, e de forma especial, aquelas menos favorecidas nos mais diferentes aspectos, agregando conhecimentos, habilidades, atitudes e competências, independentemente das condições de ingresso.
Por último, e não menos importante, a Instituição acredita que o processo de formação deve voltar-se não apenas para a capacidade de inserção no mercado e de geração de renda do indivíduo, mas para o desenvolvimento de valores humanos, tais como caráter íntegro, princípios éticos, preocupação com as questões ambientais, magnanimidade, fortaleza, domínio próprio, entre outros, que favoreçam ações comunitárias dignas e conscientes.
b) Cura personalis
Princípio que deriva diretamente dos exercícios esperituais para a Pedagogia Inaciana, no qual a atenção individual ao aluno aparece como fator fundamental para a aprendizagem e a maturidade humana.
A Pedagogia Inaciana tem como objetivo básico a promoção do desenvolvimento intelectual de cada aluno, para desenvolver os talentos recebidos de Deus, e não simplesmente acumular uma quantidade de informação ou preparo para uma profissão. Esta sugere práticas de ensino-aprendizagem através das quais a ciência de ensinar inclua, efetivamente, uma perspectiva do mundo e uma visão total da pessoa humana que se pretende formar.
A característica fundamental da Pedagogia Inaciana consiste na reflexão profunda sobre o conjunto de toda experiência pessoal e numa interiorização do sentido e das implicações do que se estuda, para assim, poder discernir sobre os modos de proceder que favoreçam o desenvolvimento total do ser humano.
Dentro desta perspectiva se encontra uma descrição ideal da inter-relação dinâmica entre o professor e o aluno, na caminhada deste último, rumo à maturidade do conhecimento, à liberdade e à verdade. A relação professor-aluno, máxima de todo o processo ensino-aprendizagem, sustenta-se, desse modo, em três pilares:
- Experiência - O professor neste processo deve facilitar um relacionamento progressivo do aluno com a verdade, principalmente nas matérias concretas por este ministradas, e para tanto deve criar as condições para que este recolha e recorde os dados da própria “experiência”, selecionando o que considera relevante para o tema tratado (fatos, sentimentos, valores, intuições etc).
- Reflexão - Ao assimilar as informações e experiências, guiado pelo professor, o aluno é capacitado a extrair o significado e o valor essencial do que se está estudando, para relacioná-los com outros aspectos do conhecimento e atividade humana, para avaliar suas implicações na busca da verdade. Estão assentadas as bases para que o aluno “aprenda a aprender”, iniciando-o nas técnicas da “reflexão”.
- Ação - Por ser um processo formativo e livre, a reflexão deve construir a consciência do aluno de tal sorte que se sinta impelido a passar do conhecimento à “ação”. Neste ponto, o professor é responsável por garantir as oportunidades de desenvolver a imaginação e exercitar a vontade do aluno, a fim de que opte pela melhor linha de atuação que derive do aprendido.
O paradigma pedagógico sobre o qual o Centro Universitário se estrutura tem a componente da reflexão como ponto central na ponte entre a experiência e a ação, graças a qual o aluno é impelido a considerar o significado e a importância humana daquilo que está estudando, e a assimilar responsavelmente este significado, para o seu amadurecimento como pessoa tecnicamente competente, socialmente sensível e consciente.
c) Excelência – Busca pela qualidade
A excelência acadêmica deverá ser alcançada não simplesmente pela elaboração de um Currículo tecnicamente bom e uma metodologia pedagógica consistente com os princípios institucionais que aspire ao esforço pessoal como meio de superação das potencialidades do alunado. Devem-se considerar também as condições do processo em si, para que o mesmo possa se efetivar de maneira eficaz e plena.
Para alcançar a excelência acadêmica faz-se necessário, portanto a melhoria constante da capacitação docente e do corpo técnico-administrativo, além do aperfeiçoamento dos processos acadêmicos e administrativos, que direta ou indiretamente, refletem no sistema educacional.
Nesta direção, um elemento que deve ser enfatizado é a institucionalização da pesquisa, em todas as suas dimensões e modalidades, como instrumento de indução da melhoria da qualificação do corpo docente, discente, e em menor grau, do corpo técnico-administrativo, bem como elemento de ampliação e aprofundamento dos conhecimentos desenvolvidos em sala de aula.
d) Promoção da justiça
A Instituição deve interagir com a sociedade de uma forma transparente e intensa, mantendo-se atenta aos anseios e necessidades da região e do País. Portanto, deve se empenhar para que seus funcionários, docentes e não docentes, e seus alunos, em suas diversas atividades e funções, promovam constantemente tudo o que for realmente humano, comprometidos com o trabalho em favor da liberdade e dignidade de todos.
O corpo social institucional deve agir em cooperação com outros, igualmente empenhados em modificar a sociedade e suas estruturas, lutando contra as desigualdades sociais, acentuadas pela globalização mundial e pelos avanços tecnológicos acelerados, tornando-a mais justa.
A Instituição deve alcançar este objetivo por meio de uma formação humana que conduza à responsabilidade social e, sobretudo, por meio da promoção e incentivo ao desenvolvimento de programas de extensão universitária, de cunho social e tecnológico, que favoreçam esta interação com a sociedade.
Da mesma forma, aqui também se deve ressaltar o papel da investigação científica como forma de atendimento às demandas sociais, aproximando o conhecimento gerado na academia do cotidiano dos indivíduos que constituem a sociedade na qual está inserida.
e) Fidelidade à Igreja de Cristo
A essência educacional do Centro Universitário da FEI, orientada pelos princípios da Companhia de Jesus, se inspira na idéia de que Deus é especialmente revelado no ministério de cada pessoa, "criada à Sua imagem e semelhança". Desta forma, a vida humana não tem sentido fora do plano de Deus e, consequentemente, a atividade pedagógica é estéril se não formar verdadeiros cristãos.
O processo educacional, à luz dos princípios cristãos, deve potencializar os dons que os indivíduos recebem de Deus a serviço da fé e da promoção da justiça social. Ao mesmo tempo, deve proporcionar a devida orientação espiritual, de modo que os professores, alunos e funcionários, que assim o desejarem, possam ser iniciados ou aprofundados na doutrina católica.
Não obstante, todos deverão ter a liberdade de expressão da fé e de sua prática, por meio de atividades comunitárias e pastorais promovidas e incentivadas pela Instituição.
Espera-se ainda que os indivíduos que formam a comunidade acadêmica, entendendo-se imagem e semelhança do Criador, busquem alcançar, no âmbito de seus afazeres cotidianos, a perfeição d’Ele. Essa busca se refletirá no comportamento destes indivíduos, favorecendo o alcance dos ideais de qualidade almejados pela Instituição.
2.2. Visão de Educação
À luz de todos os princípios aqui delineados, a Instituição entende a educação como bem público e direito básico e universal dos cidadãos e, portanto, parte do pressuposto de que o compromisso com a qualidade do serviço educacional prestado é um compromisso com o desenvolvimento da nação e com a inclusão social. Dessa forma a Instituição deve construir dentro de seu próprio campus o espaço de excelência para a formação de pessoas que estarão aptas a atuarem não apenas na comunidade local, mas compreendendo todo o contexto socioeconômico e cultural envolvido, a atuarem de forma globalizada na sociedade.
A finalidade da educação deve ir além de acumular quantidades de informação ou preparar para uma profissão, embora sejam estas importantes em si e úteis para a formação de profissionais-líderes. É, antes, o desenvolvimento global da pessoa, que conduz à ação em benefício dos outros homens, baseada numa compreensão reflexiva e vivificada pela contemplação. Ela deve desafiar os alunos ao domínio de si mesmos, à iniciativa, à integridade e à exatidão de suas decisões, em detrimento das formas fáceis e superficiais de pensamento.
A produção e o compartilhamento dos saberes produzidos no espaço institucional devem proporcionar à sociedade os benefícios resultantes dos avanços tecnológicos e dos novos instrumentos de gestão planejada, mas sobretudo dar condições de geração de paradigmas que restabeleçam o equilíbrio social desta mesma sociedade.
2.3 Missão Institucional
“O Centro Universitário da FEI tem como missão principal proporcionar conhecimentos aos seus alunos por todos os meios necessários, visando à construção de uma sociedade desenvolvida, humana e justa”.
Primando pela excelência no ensino, na pesquisa e na extensão, busca formar um profissional com as seguintes características:
- possuir forte embasamento teórico, sem perder de vista a formação específica necessária à sua empregabilidade
- ser ético, justo e com uma visão humana e social, e que perceba a importância do seu papel como agente transformador da sociedade;
- possuir visão holística da sociedade, sendo capaz de prever e analisar os impactos diretos e indiretos de suas ações na sociedade;
- preocupar-se com as questões ecológicas e ter a noção exata da importância da preservação ambiental para a garantia da qualidade de vida de todos os indivíduos e a sustentabilidade do planeta;
- ser capaz de construir novos conhecimentos, com habilidades e competências para desenvolver, modificar e adaptar tecnologias, e não apenas em condições de aplicá-las;
- possuir capacidade de adaptação, estando apto a enfrentar novos desafios e desenvolver-se em outras áreas que não aquela de sua formação (multidisciplinar e interdisciplinar);
- ser criativo e empreendedor nas iniciativas profissionais;
- ser capaz de comunicar-se com eficiência, inclusive em outros idiomas;
- possuir habilidades para trabalhar em grupo e de interagir com diferentes pessoas e culturas, sendo capaz de respeitar e compreender essas diferenças;
- ter domínio das novas tecnologias de informação e comunicação, tanto para o seu desenvolvimento pessoal quanto profissional.
2.4. Objetivos Institucionais
Traduzindo a sua missão em termos mensuráveis, o Centro Universitário da FEI, obedecendo ao princípios institucionais, propor-se-á a:
- estimular a reflexão, a criação intelectual e cultural e o desenvolvimento do espírito científico;
- formar profissionais nas diferentes áreas de conhecimento, aptos à inserção em setores de trabalho e no desenvolvimento, e colaborar para sua pós-graduação e formação continuada;
- incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica e tecnológica, visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e da difusão da cultura e, desse modo, ao aprimoramento do homem e do meio em que vive;
- promover a cultura e a divulgação de conhecimentos científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações e de outros meios;
- suscitar o desejo de permanente aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, através de cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu, integrando os conhecimentos adquiridos em uma estrutura intelectual sistematizadora;
- estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, e prestar serviços especializados à comunidade, estabelecendo com esta uma relação de reciprocidade;
- promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição;
- promover eventos de caráter cultural, desportivo e social, que propiciem sua integração na comunidade em que está inserido; e
- preparar o aluno na prática pedagógica, na iniciação científica e no estágio supervisionado, de forma a participar com êxito do mercado de trabalho.
3. Políticas e Ações Institucionais
Ante tudo o que já foi exposto, a indissociabilidade das dimensões ensino, pesquisa e extensão deve ser a base para o desenvolvimento das políticas e ações institucionais face à problematização das realidades local, nacional e mundial, discutidas na primeira parte deste documento.
A seguir, analisados sob os diferentes aspectos da educação, serão delineados os rumos a serem seguidos pela Instituição de forma que se alcance os objetivos institucionais.
3.1. Ensino
O Conhecimento é entendido como o conjunto de todos os registros (verbais ou documentais) e análises das atividades, emoções, reflexões e demais formas de expressão humana na busca de uma elevação da consciência e melhor condição de existência.
O Ensino, por sua vez, configura-se como um processo facilitador para a disseminação, apreensão e a ampliação do Conhecimento, de forma indiscriminada, a todos os indivíduos que formam a sociedade.
O Centro Universitário FEI tem como uma de suas funções a promoção do acesso a este processo de ensino, que é um bem e um direito básico e universal dos cidadãos. Portanto, em linhas gerais, a política de ensino da Instituição pode ser traduzida em:
- reestruturar e aprimorar os cursos e as suas matrizes curriculares, em todos os níveis de ensino, orientados pela necessidade de formação continuada do indivíduo e de atendimento das demandas sociais;
- investir na formação e qualificação dos docentes e do pessoal técnico-administrativo de apoio, como forma de garantir a qualidade na geração e disseminação do conhecimento;
- implementar e aperfeiçoar os novos recursos didático-pedagógicos, buscando agregar as novas tecnologias à metodologia didática e facilitar o desenvolvimento do ensino;
- incentivar as atividades extracurriculares do corpo discente, facilitando a aproximação da vivência acadêmica à vivência profissional, e o conseqüente desenvolvimento de competências e habilidades que garantam ao egresso a colocação profissional e o desenvolvimento da responsabilidade social.
Com base nesta política de ensino, pode-se elencar as seguintes ações pretendidas pela Instituição:
- acompanhar a implantação da nova estrutura curricular dos cursos, iniciada no primeiro semestre de 2003, realizando eventuais correções que se façam necessárias, de modo que a integralização dos conteúdos programáticos garanta o efetivo cumprimento dos objetivos desta reestruturação;
- expandir cursos que tradicionalmente têm sido ministrados no campus sede do Centro Universitário, pelo oferecimento de vagas também em São Paulo, como forma de atender à demanda existente.
- manter atualizado os recursos laboratoriais, infra-estrutura e equipamentos, suportando o volume crescente de práticas didáticas e pesquisas;
- incentivar o uso de recursos de informática, inclusive com o uso de ferramentas de ensino online, como instrumento de apoio ao ensino e à melhoria da qualidade das disciplinas;
- atualizar o acervo, concluir a informatização da Biblioteca e investir em bibliotecas digitais, permitindo o acesso aos diferentes meios de informação científica e o intercâmbio entre bibliotecas;
- incentivar o aperfeiçoamento didático do aluno por meio da implantação de atividades extracurriculares como monitorias, estágios, programas de iniciação científica, iniciação didática, etc
- implantar os projetos de final de curso nos cursos de graduação, como forma de desenvolver a metodologia científica e de contextualizar a problemática estudada em sala de aula;
- incentivar os programas discentes que facilitem a aproximação dos alunos à prática profissional, como estágios externos e empresa júnior,
- gerar mecanismos de acompanhamento e diálogo com os egressos, por meio de sua participação em atividades profissionais, sociais e culturais, como forma de integração da universidade com a sociedade e de estabelecimento de indicadores para constante melhoria de qualidade dos cursos oferecidos;
- incentivar a qualificação docente, por meio de dedicação para o desenvolvimento de programas de mestrado e doutorado, bem como oferecendo auxílio financeiro para a participação em eventos científicos;
- fortalecer os cursos existentes e implantar novos cursos de pós-graduação lato sensu, buscando atender às necessidades mercadológicas de aperfeiçoamento profissional e de capacitação de recursos humanos;
- implantar novos cursos de pós-graduação stricto sensu, buscando responder às demandas sociais e realimentar o ensino;
- investir na informatização de processos e serviços visando ao atendimento qualificado da demanda de ensino;
- aperfeiçoar o processo de avaliação institucional, com o forma de garantir os índices de qualidade de ensino.
3.2. Pesquisa
Entendendo a pesquisa como forma de agregar novos saberes ao conhecimento humano, a IES está engajada num processo de institucionalização da mesma e assume, portanto, o papel de produtora do conhecimento de maneira isenta e desvinculada de interesses particulares, visando ao desenvolvimento sustentável e justo da sociedade.
A preocupação com o bem comum, um dos elementos de indução das linhas de pesquisa da Instituição, exige que a mesma se abra à comunidade como forma de desempenhar em plenitude sua função social. Ao se voltar aos problemas da sociedade, possibilitando dessa forma a contextualização dos assuntos abordados, a pesquisa torna-se também uma ferramenta didática fundamental para a excelência no ensino.
Dada a importância da pesquisa no cenário interno e externo, o Centro Universitário da FEI compromete-se com a seguinte política:
- investir na qualificação dos docentes, em especial daqueles envolvidos em atividades de pesquisa;
- fomentar as linhas de pesquisa emergentes e nuclear novas linhas de pesquisa voltadas ao atendimento da demanda social;
- implementar a infra-estrutura física e computacional necessárias para a realização da pesquisa;
- buscar novas fontes de recursos financeiros para auxílio à pesquisa, como meio de potencializar a mesma;
- incentivar e facilitar a divulgação dos resultados científicos e o acesso destes pelas diferentes camadas sociais.
As ações para o desenvolvimento pleno da pesquisa são:
- institucionalizar novas linhas de pesquisa mediante a definição de uma política criteriosa de estímulo à pesquisa, abrangendo a redefinição do perfil e dos planos de trabalhos dos professores em dedicação parcial e/ou integral;
- Ampliar as atividades de pesquisa e pós-graduação stricto sensu, por meio da implantação de novos programas de mestrado e doutorado;
- manter o forte incentivo aos programas de Iniciação Científica, como forma de introdução do alunado à metodologia científica e de colaboração para a sedimentação das linhas de pesquisa institucionais;
- incentivar e implementar atividades curriculares e complementares, como projetos de meio e fim de curso, nos quais os alunos vivenciam e se aprofundam na prática da investigação científica;
- incentivar à qualificação docente em programas de pós-graduação stricto sensu, principalmente daqueles com dedicação parcial ou integral, por meio do desenvolvimento de ações que visem o acesso e a permanência dos docentes nestes programas, bem como a realização de convênios com outras instituições de ensino que favoreçam o programa de capacitação;
- ampliar a dedicação do corpo docente;
- investir em recursos laboratoriais e de informática para desenvolvimento de pesquisa;
- possibilitar a inserção do corpo docente na comunidade científica por meio de auxílio financeiro à participação em eventos nacionais e internacionais;
- incentivar a organização de eventos técnico-científicos internos buscando um maior envolvimento de toda a comunidade e a divulgação dos projetos de pesquisa;
- gerar outros meios internos de divulgação dos resultados das pesquisas, bem como facilitar a publicação dos mesmos nos diversos meios externos à disposição da comunidade;
- gerar uma política interna de patentes que favoreça a transferência de tecnologia para a sociedade;
- criar um processo de avaliação que permita garantir os índices de qualidade da pesquisa desenvolvida na Instituição.
3.3. Extensão
A extensão é entendida como a interação da instituição com o meio, por meio da qual se realiza a transferência de tecnologia, a democratização do conhecimento e o apoio a projetos tecnológicos e culturais para desenvolvimento regional.
Mediante projetos comunitários e sociais, ações de educação continuada, assessorias, consultorias, convênios e parcerias, bem como seminários, publicações e programações culturais e esportivas em geral, a extensão se torna um efetivo canal de diálogo entre os saberes da universidade e os diferentes agentes e instâncias com as quais atua na sociedade.
Qualquer que seja o nível de inter-relação da universidade com a sociedade, a função que sustenta a ação extensionista tem uma missão específica: ampliar a integração da instituição de ensino superior com seu entorno, seja sob aspecto produtivo, cultural, ambiental ou político, gerando novos desafios aos pesquisadores e novos conhecimentos para serem difundidos nas várias instâncias pedagógicas.
Neste contexto pretende-se buscar as transformações e aportes aos problemas da sociedade, buscando através da ciência, onde o conhecimento da universidade é tido como de excelência, e
conseqüentemente de referência, relacionar os saberes desenvolvidos na Instituição à construção de um contexto mais humanizado, refletido na geração de bem estar social e melhor qualidade de vida do grupo ou região.
Diante deste cenário, buscando perpetuar a visão empreendedora do fundador que criou as atuais escolas superiores na década de 40, visando à participação no desenvolvimento empresarial e industrial de São Paulo e posteriormente de São Bernardo do Campo, considerando a vocação do ensino voltada para as áreas tecnológica e de gestão, implícitas na missão e nos objetivos institucionais e considerando ainda a natureza comunitária implícita no estatuto da mantenedora, a política de extensão do Centro Universitário da FEI tem por objetivos:
- formar recursos humanos em nível superior atentos às necessidades da sociedade e preocupados com a promoção da justiça social;
- intensificar as atividades discentes de cunho social;
- facilitar o acesso da comunidade local ao conhecimento gerado na Instituição;
- proporcionar a efetiva transferência de tecnologia, gerada na Instituição, para a sociedade, por meio da pesquisa e prestação de serviços, como forma de reduzir as desigualdades sociais;
- apoiar ações públicas que incentivem a geração de emprego e renda para a região, por meio da disponibilização para a comunidade das competências de todo o seu corpo social.
Considerando a relação entre a comunidade interna e a externa, são incentivadas as seguintes ações:
- apoiar o corpo docente e o corpo discente na participação e organização de congressos, seminários, competições acadêmicas e outras atividades de intercâmbio do conhecimento proveniente de pesquisas e experiências acadêmicas;
- apoiar quaisquer outras formas de divulgação dos resultados da pesquisa desenvolvida na Instituição;
- disponibilizar suporte para desenvolvimento de tecnologia, processo e produto às pequenas e micro empresas da região, seja através de incubadoras de empresas, arranjos produtivos locais ou parceria com a própria empresa;
- dar suporte na área de inclusão digital, criando, às populações carentes, condições de acesso a postos de trabalho que exijam um mínimo de conhecimento de informática;
- disponibilizar serviços de emissão de laudos técnicos, calibrações e análises de produtos;
- dar suporte aos projetos de reconhecimento das necessidades e potenciais da região, por meio de levantamentos de dados e pesquisas regionais;
- formar mão-de-obra qualificada, nas áreas de tecnologia e gestão, por meio de treinamentos e cursos nas diversas modalidades de ensino;
- disponibilizar os laboratórios e centros de pesquisas para apoio ao desenvolvimento de produtos e processos de interesse do mercado regional;
- desenvolver a cultura de responsabilidade social em todos os níveis das atividades educacionais;
- dar suporte a incubadoras de negócios, como forma de ampliar a oferta de empregos à população;
- permitir o acesso à educação superior formal, ampliando o Programa de Bolsa de Assistência Social Institucional e apoiando as diversas iniciativas governamentais de acesso ao ensino superior e de inclusão social;
- incentivar a pesquisa nas áreas ligadas ao meio ambiente, possibilitando o intercâmbio com a comunidade local, que vive em região de proteção a mananciais;
- dar suporte ao desenvolvimento de processos de reciclagem de materiais e desenvolver a cultura do “reuso”;
- incentivar as parcerias inter-institucionais, com universidades nacionais e estrangeiras, com o setor produtivo e com a sociedade de modo geral, dirigindo a produção do conhecimento às causas sociais e à efetiva geração de bens de consumo e de serviços;
- incentivar a participação da comunidade local na vida acadêmica, mediante diferentes atividades, tais como: missa, escoteirismo, bazares e programas sociais;
- disponibilizar o conhecimento técnico de nosso corpo docente a agentes da mídia, por meio de entrevistas diversas;
- ampliar o papel do Setor de Estágios e Empregos, como agente de facilitação ao acesso no mercado de trabalho;
- disponibilizar pessoal capacitado para participação em conselhos, comissões e associações civis.
Voltando-se especificamente à comunidade interna, multiplicadora dos conceitos vividos e aplicados no próprio campus universitário, são incentivadas as seguintes ações discentes:
- Pastoral Universitária, que visa à formação de um censo de ética e de moral diante dos diversos assuntos experimentados pelos alunos, à luz do cristianismo;
- representações estudantis, como forma de desenvolvimento do conceito de cidadania e de democracia;
- Empresa Júnior, que disponibiliza o potencial do aluno para a comunidade externa, por meio da prestação de serviços, sob orientação de professores;
- atividades culturais e esportivas, como forma de desenvolvimento integral do indivíduo;
- ciclo de palestras e exposições, visando ao intercâmbio de experiências entre o meio empresarial e o alunado;
- exposição de projetos de formatura, com participação de membros da comunidade externa, como forma de promover a integração entre o desenvolvimento acadêmico e a realidade industrial;
- desenvolvimento de avaliação Institucional, para aferir e redirecionar as ações de extensão.
|