Fazer da inovação uma via de mão dupla entre empresas ou entre
empresas e universidades é um dos focos do Open Innovation Seminar 2008.
O modelo conhecido como ‘inovação fechada’, em que a empresa tranca a sete chaves os segredos de seus novos produtos, processos ou serviços, está erodindo. É o que vai mostrar Henry Chesbrough, professor da Universidade da Califórnia (EUA) e autor da expressão ‘inovação aberta’, em sua palestra no Open Innovation Seminar 2008, evento que será realizado em São Paulo no dia 16 de junho.
Autor de livros e pesquisas sobre inovação e consultor de grandes corporações transnacionais, Chesbrough vai demostrar que as empresas tendem a gastar menos e ganhar mais quando fazem inovação em parceria com outras empresas ou com instituições de pesquisa. “Além de explicar os conceitos e aplicações da inovação aberta, o professor ilustrará sua palestra com cases de empresas que praticavam a inovação fechada e que passaram a utilizar a inovação aberta”, antecipa Bruno Rondani, diretor da Allagi Consultoria, empresa responsável pela realização do seminário. E se a inovação aberta, por si só, já seria uma opção estratégica vantajosa para as empresas, Rondani observa que a legislação brasileira também favorece a sua prática. “A Lei de Inovação busca criar um ambiente propício às parcerias estratégicas entre poder público, agências de fomento, empresas nacionais, instituições científicas e tecnológicas e organizações de direito privado sem fins lucrativos voltadas para atividades de P&D”, lembra o consultor. Já a Lei do Bem em seu artigo 19A, observa Rondani, “autoriza às empresas a exclusão, da base de cálculo do IR e da CSLL, de 50% a 250% dos dispêndios com projetos de inovação feitos em parceria com universidades”. Bruno Rondani vê mais fatores no País que favorecem a inovação de maneira geral e que incentivam a inovação aberta de modo especial. Dentre eles, o amadurecimento do empreendedorismo de base tecnológica, a disponibilidade crescente de capital para inovação, o amadurecimento dos núcleos de inovação das universidades, o êxito das incubadoras e a reestruturação do sistema de patentes. “A notória distorção do sistema nacional de inovação, marcado pela presença de poucos pesquisadores nas empresas e muitos nas universidades, representa também um excelente pano de fundo para a aplicação de modelos de inovação aberta no País”, acrescenta. Na seqüência da palestra de Henry Chesbrough serão realizadas três mesas-redondas, com foco na realidade brasileira. Na primeira mesa serão apresentadas iniciativas de inovação aberta no País, com a participação das empresas Natura, Cristália, Embraer, Embrapa e IBM. O sistema nacional de inovação será o tema da segunda mesa, que contará com representantes da Anpei, INPI, CNI, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e Sociedade Brasileira Pró Inovação Tecnológica. Com a participação de dirigentes da Finep, da Agência de Inovação da Unicamp, da associação de incubadoras de empresas (Anprotec), da Fundação Getúlio Vargas, da Fundação Dom Cabral e da empresa Omnisys, a terceira mesa discutirá empreendedorismo e inovação aberta.
Em todas as mesas Henry Chesbrough participará como debatedor.
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